16 setembro, 2017

Vida ao Natural






Nunca imaginei lareira numa casa no Rio de Janeiro, mas gente abastada adora coisas inúteis rs.


Clarice nos presenteia aqui com um encontro entre amantes, onde o homem atiça o fogo da lareira e ela entende que assim como o fogo que tem sua duração e extinção, assim é seus sentimentos quanto aquele homem.


Nada dura para sempre, o importante é a entrega ao momento, onde fabricamos os fragmentos felizes que se tornarão lembranças futuras de uma passado de momentos felizes.


Engraçado que a finitude do tempo nas relações  não deixa a personagem triste, mas ela entende que a vida é assim, e nada podemos fazer.


Gosto da simplicidade deste conto de apenas uma página. Também compartilho da não possessão de seu par romântico.
Uma das lições mais duras nas relações é entender que mudamos e assim, nosso sentimento conosco.



Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja









Clarice Lispector - Todos os Contos
       Editora Rocco - Capa Dura - 656 Pgs
        Organizado por Benjamin Moser





Marcia Cogitare






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