25 março, 2017

Discurso de inauguração






Este pequeno conto me fez lembrar de uma geração que acreditava piamente no futuro. No futuro as coisas seriam diferentes, no futuro, tudo seria fabuloso.
Vai estudar menino para ser alguém no futuro...



A missão é suicida: nós nos voluntariamos para o futuro



Nossos pais viviam com a cabeça no futuro. O presente não importava tanto me parecia.
Já nossa geração que vive imersa em extrema tecnologia, o futuro é sempre agora. Não esperamos mais o futuro, somos o futuro.


Até a pretensão da educação de  nos salvar um dia, parece absurdamente forçada. Esta também tem mudado. Foi-se o tempo em que o professor era o detentor do saber, a Wikipédia tomou seu lugar e tem nadado de braçada.


Talvez muitos professores ainda não se deram conta na mudança de paradigma nos tempos de internet  e continuam bancando o sabichão e porta voz do saber.


Mas vamos ao conto, Clarice nos diz que aconteceu uma inauguração de uma linha metálica e que esta obra humana será nosso legado para a eternidade.
Talvez esta linha seja o trem ou algo que o valha. Uma forma de transporte mais eficiente para as grandes cidades sempre aglomeradas de gente.


E nada é tão simples e comum  em Clarice. Uma linha metálica que ganha valor quase espiritual. Parece mais uma brisa da autora (Clarice vc tá dificultando nossa vida de escritores de blog).

Talvez o homem tenha sempre procurado por algo que o salve da morte(a ideia de morte eterna é ainda mais assustador), por isso a medicina avança e a tecnologia com ela.



Ela é deserta por dentro. Mas nós, que aqui estamos, temos um gosto e uma nostalgia pelo deserto como se já tivéssemos sido desapontados pelo sangue


Mas a pergunta fatal do texto, é o que deixaremos como legado para os que aqui ficarem?

Segundo Clarice, não vale apenas as boas lembranças do morto, é preciso algo palpável?

Estou me decidindo, se isso é uma ironia da autora para ilustrar a fragilidade humana de permanência ou se é uma nova  proposta "futurística" para o legado do morto em questão.

Leiam o texto e voltem aqui para me ajudarem neste impasse.



Não faremos como os nossos próprios mortos antigos que nos deixaram, em herança e peso, a carne e a alma, e ambas inacabadas


Não se esqueçam de ler sobre as impressões da Silvia sobre este conto - Só ir no Reflexões de Silvia







Clarice Lispector - Todos os Contos
       Editora Rocco - Capa Dura - 656 Pgs
        Organizado por Benjamin Moser

                   
                    Marcia Cogitare



4 comentários:

  1. Este texto não foi fácil...
    Mas acho que a ideia é essa mesma.
    É engraçado como a evolução fez um futuro completamente diferente daquilo que se imaginava antigamente...
    Beijo!

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    1. Parece um outro mundo para nossos pais.

      Hoje raramente se fala em futuro. A vida ficou mais veloz, talvez seja por isso.

      Hug Silvia

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  2. Oi Márcia, olha esse conto parece complexo kkk. Partindo da minha própria visão eu não sei se sou capaz de definir o que é realmente um legado, Clarice nos faz levantar questões estranhas. Beijinhos

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    1. Jade, este texto demorei uns dois dias, até ter algo pra iniciar minha escrita.

      Amo as estranhezas de Clarice

      Hug :D

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd

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