13 março, 2015

Resenha: Bile Negra



A angústia é inerente a todo ser humano. Mas como falar dela? Como mostrá-la? Como explicá-la a alguém? Bile Negra é uma tentativa de trazer à tona, de colocar em palavras esta sensação familiar a todo indivíduo.

Ao contar a história de Iago, um jovem recém-chegado à cidade grande, o livro expõe as questões existenciais de alguém se degladiando com seus próprios vazios. Sob a perspectiva de sessões de terapia, o personagem aos poucos vai expondo suas entranhas repletas de conflitos e emoções em ebulição.

A narrativa conduz o leitor aos cantos mais sombrios da alma, explorando-o através de seus diversos personagens aparecendo na cidade erraticamente ao longo da trama, na medida em que se encontram com o protagonista.
Bile Negra é uma grande sessão de terapia; convida o leitor à reflexão pessoal e partilha as questões existenciais às quais estamos submetidos devido à sociedade na qual vivemos. Iago nos oferece alternativas, algumas erradas outras acertadas, para lidar com esta angústia.



por João Michels



Caro leitor,

Confesso que não sou uma pessoa que lê livros de autoajuda. Títulos no estilo: “10 passos para mudar sua vida!” fazem-me correr como se estivesse fugindo do Satã. Mas, isto é um gosto pessoal. Entretanto, adoro livros que tratam sobre a psique humana. Obras que tratam sobre o âmago do Ser sempre me atraíram e sempre irão me atrair, sejam elas de cunho científico ou fictício. Meu autor favorito deste gênero é Augusto Cury, e achava sinceramente que O Colecionador de Lágrimas, O Futuro da Humanidade e o Sentido da Vida seriam minhas obras favoritas por um bom tempo. Isso até ler recentemente Bile Negra, do Dr. Alexandre Loch, sob o qual vamos conversar agora.

Falemos primeiro do título da obra. O que seria a Bile Negra? Teoria dos Quatro Humores ( Teoria que constituiu o principal corpo de explicação racional da saúde e da doença entre o Século IV a.C. e o Século XVII) , Bile Negra seria a responsável pela melancolia, depressão, e tristeza. E é sobre isso que o livro de hoje trata.

Com Bile Negra fazemos uma viagem pela melancolia e angústia humana. E apesar de seu autor ser um psiquiatra, não temos um livro técnico e distante, e sim uma bela viagem dentro de nossos sentimentos mais íntimos. Nosso protagonista é Iago, um homem que está em terapia. Esse é o cenário. Somos os ouvidos de seu psiquiatra e acompanhamos seu desabafo, onde ele nos apresenta todos seus questionamentos, todas as suas angústias, tudo que o deprime e o entristece, o que o levou até a terapia.

O livro foi para mim uma terapia propriamente dita. Confesso que durante a leitura eu me assustei com o quanto me identifiquei com Iago, suas angústias e seus questionamentos existenciais. Até cheguei a brincar com o autor, mandando-lhe uma mensagem perguntando se ele havia lido meus pensamentos de alguma forma e transcrito os na obra.

Bile Negra é uma leitura especial e muitíssimo boa. Iago nos convida a refletir sobre nossa sociedade, nossa realidade. Foi uma leitura densa, pesada, apesar de ser um livro curto e de leitura rápida. Não sei se por minha identificação com o personagem e suas angústias, foi uma obra que mexeu comigo, me fazendo analisar toda minha existência, minhas angústias, meus medos e minhas crenças.

Não espere uma leitura com muita ação ou aventura. Esse livro não é sobre isso. É um livro belo, poético, sobre a busca pelo significado de ser humano. É uma viagem. Uma introspecção ao mais fundo de nossa alma, podendo causar intensas doses de melancolia e tristeza (como foi meu caso, que me identifiquei inteiramente com a obra).

Uma curiosidade interessante foi que durante a leitura fiz uma coisa que não costumo fazer. Passei um marca texto em passagens, pensamentos de Iago com os quais me identifiquei. Nem preciso dizer que marquei quase o livro inteiro. Ao menos 80 % dele.

Eis aqui alguns quotes que me identifiquei e que arrisco postar aqui:

“Quis preencher o vazio que existia em mim desde pequeno. Mas descobri que este vazio é meu. E que ele nunca deixará de se tornar um vazio para se tornar algo pleno. Plenitude não existe.”

“O único sentimento era o de esgotamento.”

“Mundinho nojento.”

É isso por hoje leitores. Convido vocês a conhecerem o doutor Alexandre e sua obra. Convido você a olhar para dentro, analisar-se e questionar o mundo e realidade onde vive. Convido você a ler Bile Negra e embarcar nessa viagem fantástica. Grande Abraço e Boa viagem, digo, leitura.







João Michels

11 comentários:

  1. Se dissermos que gênero de livro é "pudor", posso me dizer uma completa despudorada, João e, através dessa sua resenha tão "alma", pude ver o quanto esse livro é interessante.
    Eu amo a viagem (nem sempre doce) dentro de mim mesma. Esse mergulho, que por vezes dilacera, traz crescimento e eu gosto de me fortalecer.
    Amei a resenha!
    Vou procurá-lo já para leitura!
    Parabéns ao autor e a você!
    :)

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    1. Realmente Telminha... A Viagem é dolorida, mas é necessária.
      Vale super a pena ler... Bjão.

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  2. João, pessoalmente gosto muito de livros "desgracentos" e que nos permitem estes mergulhos interiores.

    Gostei muito de sua resenha, mostra muito de sua sensibilidade.

    Irei atrás do livro com certeza.

    Hug :D

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  3. Muito bom, João. Não tenho dúvidas que eu também me identificaria muito com o Iago.
    Obrigado pela indicação e por compartilhar um pouco mais de você com a gente.
    Minhas resenhas preferidas são as produzidas de um jeito bem pessoal, escritas com o coração.
    Adorei essa!!! Um abração.

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  4. Se todos fizessem isso que você apontou "analisar-se e questionar o mundo e realidade onde vive" o mundo seria um lugar bem diferente e melhor. Amei sua colocação sobre o livro.

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  5. Galera, adorei todos os comentários! Quem quiser mandar opiniões depois de ler, aqui vai o meu e-mail: lochautor@gmail.com
    Abraços a todos!

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  6. O tema é forte e pelo que notei nos dá algo pra pensar. Também não sou muito apreciadora de livros de autoajuda, mas esse tem um ´´ que`` que me chamou bastante atenção. O personagem traz questões que muitos de nós vivemos e presenciamos. fiquei curiosa, não nego. E vou ver se leio. Preciso saber mais sobre o Iago.
    Beijos.

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  7. Adorei a resenha João, me fez sentir vontade de resgatar aquela caixinha que escondi no lugarzinho mais escuro dentro de mim mesmo com minhas frustrações e tristezas as quais decidi não mais tocar ou mencionar, acho q este livro me ajudará a superá-las de vez

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