06 agosto, 2015

A Profecia de Samsara


A Profecia de Samsara - Quando o príncipe do Clã mágico dos Devas é assassinado, as suspeitas recaem sobre sua própria mestra, Draupadi. O irmão do príncipe, o jovem Arjuna, jura vingar sua morte e persegue a criminosa pelos reinos mágicos da antiga Índia. Draupadi inicia sua fuga ao lado de Asti, uma humana a quem chama de filha, que guarda um segredo em seu corpo desde que nasceu - uma maldição ancestral em forma de tatuagem, da qual procura desesperadamente se libertar. Todos os fatos fazem os destinos de Arjuna e Asti convergirem definitivamente, o que torna inevitável a concretização da temível 'Profecia de Samsara'.





Série Red Luna
Letícia Vilela
256 páginas
Editora Gutenberg



Ao terminar esse livro li algumas informações diversas que só o autor poderia defini-las. Assim, entrei em contato e pensei que não obteria resposta antes de postar a resenha, mas a prontidão de Marcos Inoue foi grandiosa. Afinal, quem é Marcos Inoue, esse livro não é de Letícia Vilela?  
Já inicia com esse diferencial, a série é escrita por vários autores, tendo como roteirista Marcos Inoue, quem trabalha na trama geral do universo.
Pois é, também não sabia e achei muito interessante a explicação do autor e resolvi passar para vocês.
Esse livro não é um livro comum, que tem sua origem para ser um livro, um autor ou autores escrevendo para montar uma história, esse não é assim. Todo o universo, personagens e trabalho foram desenvolvidos para a construção de um cardgame e mais a frente resolveram materializar esse universo em um livro - que conforme o autor “se tudo correr como planejado o cardgame sai em outubro/2015, para a plataforma do PS-Vita e depois Nintendo DS”. Mas, com um universo enorme e 150 personagens, resolveram que deveria ser mais de um, então lançaram o primeiro livro da trilogia Red Luna (pensando em fazer só uma trilogia) – A Biblioteca do Czar, mas com o lançamento de A profecia de Samsara perceberam que o ideal seria esse ter sido lançado primeiro devido a cronologia existente entre o primeiro lançamento e esse. Assim, decidiram que esse seria o primeiro livro de um arco de 4 livros com a trama Magia por causa da história do Clã em que fora desenvolvido. Já o primeiro lançamento, A Biblioteca do Czar, é o primeiro livro do segundo arco de livros com a trama Sangue.
Muita informação, verdade? Mas compensa saber, para se situar no universo e entender o motivo de dois livros diferentes, com autores diferentes em um Universo destacando a mitologia Hindu.
Já li alguns livros que possuem um pouco da cultura da Índia, mas não um que explorasse tão bem e de forma tão clara. Foi uma ótima experiência. Segue abaixo a resenha:


*****               *****               *****               *****               *****               *****                 

Defino esse livro como: o livro das surpresas.

A autora nos leva a uma viagem fantástica pela cultura da Índia. Acontecimentos da Antiga Índia se esvaem com o passar do tempo caindo no esquecimento, tornam-se obsoletos, dando origem a Mitologia Hindu, na qual os personagens de Letícia Vilela passam a vivenciar uma das profecias que mudará o curso do que pensavam existir.

O enredo é rico em detalhes quanto a mitologia Hindu. O contexto histórico se passa no antes, depois e no século XX. A Grande Era da Magia teve início quando o soberano da dimensão mágica de Maan, o Hollow Deva, passa a viver na terra sob a forma humana. Dele origina o Clã dos Devas. Os Devas – não fazem mal aos humanos -, se alimentam da energia mágica dos humanos que aqui são chamados de Alayas.  Dez mil anos depois da origem dos Devas, surge um Clã misterioso, que ao invés de sugar energia mágica dos humanos, sugam a energia do sangue humano - eles matam seres humanos - são os chamados de Vanis e liderados pelo Hollow Varni.

Já no século XX, surge outro Clã bem diferente, os que sugam as emoções humanas e conseguem interferir no destino e rumo da história da humanidade, chamados de Auras.

Arjuna, antes de se tornar um Deva, presencia uma intrusa sobre o corpo de seu irmão Deva, príncipe Bhima. A intrusa é ninguém mais que a Mestre de Bhima - Draupadi, que passa ser acusada da morte de seu pupilo, o que a torna uma fugitiva, tendo em seu encalce para sempre um Arjuna vingativo. Essa vingança de Arjuna o leva a se deparar com um destino que não esperava, a profecia de Samsara e o grande segredo que envolve Asti, uma garota que cruza o caminho dele. Asti carrega uma maldição em seu sangue – algo que dizimará todos os Devas. Assim, como última de uma linhagem antiga de Alayas -, é jurada de morte e cabe a Arjuna definir o destino não só da garota como de todos os Devas.

Só então Asti percebeu que o sol era um felino alado, com suas chamas quase brancas de tão intensas e com suas asas crepitantes capazes de evaporar oceanos. Uma sombra escureceu o espaço ao redor da garota. Ao virar-se, paralisou-se de terror.


O bom desse livro está nas surpresas escondidas em suas páginas, muita magia, ação, aventura. Maldições e mistérios, não faltam, e não apenas a respeito de Asti, mas todo o conteúdo do livro culmina em um desfecho espetacular e desejo pelos livros posteriores.

Logo no início temos o gráfico da Era da Magia, a explicação de como tudo se originou, todo o reino de magia e cada clã, onde nos situa em suas divisões, detalhando seus poderes e como utilizam, o leitor não fica perdido, jogado em um mundo sem saber de nada, assim, no decorrer da leitura consegue visualizar os personagens na esfera dos poderes de seus respectivos clãs. A escrita é fluída e espontânea, e apesar da quantidade de informações não é cansativa.

A personagem que mais me cativou foi Draupadi, seus poderes da luz são lindos (amei a tigresa dela) e seu grande carisma e coração. Camil também mostrou como alguém que parece não ser nada tem o poder de fazer muito com sua forma de ser e seus poderes de herbalista. Lis – a Alaya – pupila de Camil fez com que me apaixonasse com sua aceitação sem perguntas e por se doar sem pedir nada em troca. E, por incrível que pareça, Arjuna passou muita raiva em mim por suas atitudes tão precipitadas, apesar de ser um grande mestre do fogo com suas flechas e pontaria sem erros e ter um coração de ouro. Agora, Asti apesar de todos os problemas que carrega possui uma fortaleza e determinação em cada atitude e pensamento, e busca proteger todos ao seu redor, custe o que custar. Há vários outros, todos bem trabalhados, e como devem ter percebido os personagens são vampiros, – não vampiros com presas, sugadores de sangue, mas conforme o clã, sugam a energia – e manipulam essa energia. Aos meus olhos, são mais mágicos do que vampiros, devido a uma junção que fazem com seres advindos de outra dimensão. Curiosos? Então leiam!

Foi uma leitura ótima, rica em detalhes em que a criatividade foi desafiada e materializada de forma magnífica.

Esse livro foi uma surpresa maravilhosa, que me deslumbrou desde a capa até a última linha escrita. Não há monotonia na leitura, e só encontrei uma dificuldade: parar de ler antes de termina-lo.

Aconselho aos que amam fantasia acrescentá-lo em suas leituras, não vão se arrepender, a cada página vão encantar com o desdobrar da história e envolver com os personagens e a riqueza da mitologia.


As sombras em forma de asas projetadas pelas grades pareciam dentes prestes a devorá-la. Ele segurou Asti pelo pescoço, erguendo um punhal para o sacrifício. Um intenso clarão fez com que Raveni gritasse de dor. O braço que segurava o punhal acabava de ser incinerado por uma flecha de fogo. Armado de seu arco de madeira negra, o Deva imponente adentrou a cela colocando-se à frente de Asti. Um elemental flamejante ardia pelos entalhes da arma. Raveni recuou para um canto da cela, tremendo enquanto segurava o braço destruído. Os olhos vermelhos continuavam a encarar Asti, ansiosos.


14 comentários:

  1. adorei conhecer o livro, amo ler livros que me trazem conhecimento ainda mais quando é de uma cultura tao vasta como a India.

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  2. Que coisa mais interessante, Cinthia!
    Você ter procurado a autora e achado o autor (os autores) e a história do livro torna tudo mais claro.
    Que ideia inusitada a deles.
    Sim! Fiquei muito curiosa... em especial com o clã de vampiros!
    Sua resenha atiçou tudo em mim: curiosidade, vontade, necessidade...rs
    Excelente resenha, princesa!
    beijos
    =D7

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    1. Ah, todos os personagens são únicos e isso é muito bom. Pior que a curiosidade aumenta ao lê-lo.

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  3. Nossa Cinthia que resenha deliciosa e que empenho em buscar mais informações com os autores, simplesmente de mais este universo.

    Hug :D

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    1. As informações que lia não se equiparavam então tive de ir atrás devido a diferença, minha curiosidade as vezes me faz isso. Acredito que você amaria Marcia.

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  4. Me interessei bastante, ainda não conhecia esse livro e a capa é linda, eu adoro surpresas no decorrer de uma leitura, e mistérios é algo que fascina, com certeza irei colocar na minha lista de leitura

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    1. E, quando o ler, venha nos dizer o que achou, vou amar saber.

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  5. Achei muito legal a sua resenha, o livro parece ser bem fantástico. Amo histórias que nos surpreendem, eu me sinto absorta na escrita totalmente
    Gostei mesmo do livro, espero ler =)
    Bjs

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    1. É um livro muito bom, e creio que os próximos tendem a surpreender mais ainda.

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  6. Gosto de livros que abordam todos os tipos de mitologia, porém conheço pouco da mitologia Hindu, adorei a resenha e o livro parece ser cheio de surpresa, talvez seja essa a oportunidade pra eu conhecer um pouco mais desse universo ^^

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    1. Míriam, para você que gosta da mitologia Hindu vai amar mais ainda. São poucos os livros que me atraem quando se trata desse tema, mas esse realmente é perfeito, não há o que falar.

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  7. Gamei na trama deste livro. A Índia é um país lindo e cheio de encanto. E pelo visto muita coisa linda acontece na trama. Histórias envolventes assim são difíceis de se achar. Obrigada por me apresentar esta obra. Já anotei na minha lista.
    Beijos.

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    1. Por nada Beth, espero que goste. Beijos.

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd

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